O romance Vidas Secas, que completa 70 anos
desde sua primeira edição, em 1938, é considerado
por muitos o ápice do ciclo do regionalismo
nordestino. Há até quem diga ser um exemplo
de criatura que superou o criador. Mas a verdade é
que Graciliano Ramos foi uma das mais brilhantes
mentes de sua época e um escritor que, além da
história de Fabiano e Baleia, emocionou milhares
de leitores com obras-primas como Angústia, São
Bernardo e Memórias do Cárcere.
Discutindo Literatura homenageia o autor no artigo de capa de Clenir Bellezi de Oliveira, em
que recuperamos a história desse literato, jornalista
e político que balançou o modernismo da geração
de 1930 e influenciou uma imensa variedade
de intelectuais, desde artistas plásticos do porte de
Portinari até cineastas excepcionais como Nelson
Pereira dos Santos. Sua escrita habilidosa, cortante
e nada complacente ainda encanta leitores, escritores
e estudiosos do mundo inteiro, ávidos por
dissecar sua prosa e seus imortais personagens.
Aliás, se esta revista pesasse o equivalente à
reputação dos escritores aqui tratados, você mal
conseguiria levantá-la, caro leitor. Temos, por
exemplo, Bukowski, o “velho safado”, inspirador
dos beats e de toda a chamada literatura marginal.
O enlouquecido Waly Salomão, poeta e agitador
que tingiu de novas cores a bandeira tropicalista.
Arthur C. Clarke, o gênio visionário da ficção científica
que nos deixou recentemente. O recluso Rubem
Fonseca, cuja prosa sagaz marcou a literatura
contemporânea do Brasil. Lya Luft, autora que
comemora 70 anos de vida com livros que reúnem
os dois efeitos mais antagônicos do mercado editorial:
sucesso de crítica e de público. Enfim... É uma
tonelada de talento. Prepare seu caminhão encefálico
para carregar esse monte de conhecimento.
Boa leitura!