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Primeiro movimento literário brasileiro com reconhecimento internacional,
a poesia concreta – que comemora 50 anos – ainda inspira e se renova
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Há 50 anos aconteceu
a 1ª Exposição Nacional
de Arte Concreta
em São Paulo, reunindo
artistas plásticos de
vanguarda e poetas. O concretismo
nas artes plásticas
já não era tão impactante.
Em 1951, a 1ª Bienal Internacional
de São Paulo já recebera
uma delegação de construtivistas
suíços, e, um ano
antes, um deles, Max Bill
(1908-1994), fizera uma exposição
individual no Brasil.
Sob influência deles, artistas
plásticos brasileiros, que em
fins da década anterior já
procuravam abandonar a arte
figurativa pelo construtivismo,
fundaram o Grupo
Ruptura em São Paulo.
Nessa cidade fizeram
sua primeira exposição, em 1952. Eles passaram a praticar uma arte desvinculada
do “velho”, que combatia “todas as
variedades e hibridações do naturalismo”, levantando
a bandeira de “todas as experiências
que tendem à renovação dos valores essenciais
da arte visual (espaço-tempo, movimento
e matéria)”.
Inicialmente o grupo paulista tinha entre
seus membros Waldemar Cordeiro, Geraldo
de Barros, Anatol Wladyslaw,
Lothar Charoux, Kazmer Féjer,
Luiz Sacilotto, e Leopoldo Haar.
Diziam-se integrantes do “movimento
concreto” para se diferençarem
dos puramente “abstracionistas”.
Ambas as tendências
desvinculam-se do figurativismo
e do naturalismo, mas os concretos
aproximavam-se dos homônimos
russos e faziam uso da
composição geométrica, da sobriedade
das formas, da repetição
de estruturas modulares, opondo-se à abstração livre e gestual.
Algo parecido também era
cultivado, por esse tempo, no
Rio de Janeiro. Alfredo Volpi, Milton
Dacosta, Almir Mavignier,
Abraam Palatnik e Ivan Serpa,
entre outros, também desenvolviam
trabalhos que procuravam
se desvincular do figurativismo.
Serpa chegou a ser premiado na já citada Bienal e, depois do evento,
aglutinou em torno de si alguns ex-alunos
como Lygia Clark, Lygia Pape, Décio
Vieira e Aluísio Carvão, que formaram o
Grupo Frente, expondo juntos pela primeira
vez em 1954, no Instituto Cultural
Brasil - Estados Unidos, na capital fluminense.
Depois, juntaram-se a eles Hélio
Oiticica e Franz Weissmann, entre outros.
A idéia da 1ª Exposição Nacional de
Arte Concreta de São Paulo foi do pintor
Waldemar Cordeiro (1925-1973). O Museu
de Arte Moderna havia convidado os
artistas plásticos do Ruptura para expor
em setembro, e os do Frente no mês seguinte.
Cordeiro, porém, achava que, se
os dois grupos fizessem um evento conjunto,
o acontecimento seria mais expressivo;
além disso, o artista convidou autores
que revolucionariam a concepção de
poesia. De São Paulo, Décio Pignatari e os
irmãos Haroldo e Augusto de Campos; do
Rio de Janeiro, Ferreira Gullar, Ronaldo
Azeredo e Wlademir Dias-Pino.
A poesia concreta foi o gatilho do escândalo
provocado pela exposição de
1956, que no ano seguinte seguiria para
o Rio de Janeiro. Os críticos de então não
se definiam: os concretistas ou eram
ineptos, ou excessivamente eruditos. Para
o escritor e jornalista Lêdo Ivo, por exemplo, eles precisavam de “um bom curso primário”.
Já o romancista José Lins do Rego achava que eles
careciam de um “um banho de burrice”.
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