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LITERATURA ESTAMPADA
 




Apesar de estigmatizadas,
existem HQs que fogem aos
padrões de consumo fácil,
contemplando até excelentes
adaptações de clássicos
da Literatura

 

Há quem associe histórias em quadrinhos a leitura fácil e despretensiosa, feitas basicamente para entretenimento do público infanto-juvenil. De fato, boa parte da produção de quadrinhos destina-se exclusivamente a isso. No entanto, desde que foi publicado no jornal New York World, o Yellow Kid – criado em 1895 por Richard Fenton Outcault (1863-1928) e considerado o embrião das HQs –, essa forma de expressão amadureceu e evoluiu muito, e obras de significativo nível artístico foram produzidas.

 

Se ainda há quem discrimine as histórias em quadrinhos, tachando-as de modo generalizante como produto inferior da cultura de massa, por outro lado elas já se tornaram até objeto de estudos acadêmicos. O trecho a seguir, por exemplo, foi extraído da apresentação feita pela professora Selma Martins Meireles, no 4º Congresso de Arte e Ciência da USP, em outubro de 2001: A idéia de unir os temas de mito e histórias em quadrinhos é muito própria, pois ambos parecem ser uma espécie de "primos pobres" em comparação com um outro par formado por Filosofia e Literatura. Enquanto estes dois últimos são socialmente valorizados como produtos nobres da razão e da criatividade humana, ao mito e à história em quadrinhos parece ser reservado um lugar inferior, identificado com aspectos negativamente carregados como "mentira", "invenção", "produto de massa".No entanto, o estudo dos mitos e da história em quadrinhos afirma-se repetidamente não como um subproduto acadêmico e cultural, mas sim como uma forma alternativa de apreender o universo e a relação do homem com o mundo natural e social, e de expressar essa interação de um modo não apenas racional, mas também intuitivo e emocional, buscando a totalidade do ser humano.


A escola de Eisner
Embora o Yellow Kid tenha inaugurado os quadrinhos como mídia de consumo de massa, nos séculos 18 e 19 já havia na Europa as chamadas “literaturas estampadas”, também conhecidas como “romances caricaturados”, que tiveram como um de seus expoentes o inglês William Hogart (1697-1764).

 

Nas três primeiras décadas do século 20, o universo das histórias em quadrinhos se multiplicou nas tiras de jornais diários. Muitos personagens antológicos vieram a público nesse período, como Os Sobrinhos do Capitão, Gato Félix, Popeye, Tarzan, Dick Tracy, Betty Boop, Mandrake, Fantasma, Mickey Mouse e Pato Donald.


Ainda na década de 30 surgiram as primeiras publicações exclusivamente voltadas para o gênero, como a Action Comics, na qual nasceu o Super-Homem em 1938. Uma revista concorrente, a Detective Comics, lançou no ano seguinte outro herói destinado a tornar-se um mito dos quadrinhos, o Batman.


Mas foi em 1940 que ocorreu o grande salto qualitativo nas histórias em quadrinhos: o surgimento de The Spirit, de Will Eisner (1917-2005). Além da concepção gráfica revolucionária, com cortes e ângulos insólitos, uso de luz e sombras, fusões de imagens e tomadas inusitadas, a criação de Eisner trazia um texto ágil e bem-humorado, retratando personagens que não primavam pelo glamour ou pelo heroísmo, mas sim por uma humaníssima falibilidade.

 

 



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