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OBSCURA FANTASIA
 


 

Em O Médico e o Monstro, Robert Louis
Stevenson construiu uma fábula sobre a
dubiedade da moral puritana e do
próprio inconsciente humano

 

Caso alguém seja convidado a desenhar um pirata – um daqueles ferozes saqueadores marítimos que aterrorizavam os navegantes nos séculos 16 e 17 –, é quase certo que se esforçará, por mais pífios que sejam seus dotes artísticos, por rabiscar a figura de um homem de aspecto cruel, provavelmente usando um tapa-olho, com uma perna de pau, e um papagaio empoleirado no ombro. Esse é o estereótipo de pirata que povoa
o imaginário popular. E o grande responsável por isso foi Robert Louis Balfour Stevenson, escritor escocês nascido em Edimburgo, em 1850.


Stevenson foi o criador de Long John Silver, personagem de A Ilha do Tesouro, cuja primeira edição data de 1883. As qualidades da obra tornaram-na um grande sucesso de público e um clássico absoluto da literatura infanto-juvenil, o que fez do velhaco Long John o paradigma dos piratas de ficção.

 

De saúde frágil, padecendo de uma suposta tuberculose, Stevenson passou boa parte da infância recluso em sua casa, sob os cuidados de uma enfermeira particular. Fervorosa presbiteriana, ela distraía o menino contando-lhe histórias mórbidas sobre os covenanters (mártires presbiterianos escoceses), lendas bíblicas, e novelas baratas cheias da austera moral vitoriana. Tudo com a devida aprovação dos pais de Stevenson, adeptos de um rígido puritanismo.

 

Fascínio pelo mar
Movida pelo precário estado de saúde do garoto, a família Stevenson procurou um lugar de clima ameno e ar saudável: o litoral. O mar exerceu um grande fascínio sobre a índole irrequieta e sonhadora do jovem Robert, oferecendo-lhe uma sedutora promessa de liberdade em contrapartida aos limites impostos pela rígida disciplina puritana da família.

 

Ao entrar na Universidade de Edimburgo, em 1867, Robert Louis Stevenson começou a se desvincular definitivamente dos laços familiares. Medíocre estudante de Engenharia, empenhou-se muito mais em praticar boêmia. Passou a dedicar-seà Literatura, escrevendo diversos ensaios, poemas e novelas.


Impetuoso e romântico, Stevenson apaixonou-se por uma mulher casada. Juntou-se à tripulação de um navio para segui-la até os EUA e convencê-la a separar-se do marido. Durante a viagem, desenhando um mapa fictício para entreter seu enteado, ocorreu-lhe a idéia de uma história sobre piratas, que veio a resultar em A Ilha do Tesouro.

 

Amante do mar e andarilho por natureza, Robert Louis Stevenson empreendeu muitas viagens, que lhe renderam material para diversos contos e novelas. A bordo de um veleiro, aventurou-se por vários arquipélagos do Pacífico Sul, coletando histórias e lendas nativas que serviram de base para outros tantos textos.


De espírito livre e pouco afeito a convenções, Stevenson era grande admirador de Henry David Thoreau (1817-1862), e foi bastante influenciado pela filosofia libertária do célebre autor de A Desobediência Civil. Em vários de seus poemas, Stevenson destilou seu desprezo pelos padrões morais da sociedade puritana, como no cáustico Hail! Childish Slaves of Social Rules! (em Português, “Salve! pueris escravos das regras sociais!”).

 

 



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