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O espanhol Federico García
Lorca pagou com a vida pela
paixão de sua escrita
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Alguns homens são poderosos, mas covardes.
Comandam exércitos armados que praticam
toda sorte de vergonhas. A História registra a
presença de muitos desses homens ao longo
dos tempos, mas o século passado foi tristemente
pródigo na incidência de regimes totalitários liderados
por esse tipo de algoz. E os Governos de exceção
sempre perseguiram os artistas engajados. Aqueles
que fizeram da totalidade ou de parte de sua obra um libelo
contra o despotismo freqüentemente pagaram alto
preço pela ousadia.
Federico García Lorca, considerado um dos mais importantes
autores espanhois, foi um dos primeiros artistas
a serem assassinados pelos regimes totalitários de direita
do início do século 20, no caso, o do general espanhol Francisco
Franco (veja o box “A Guerra Civil Espanhola”). Em sua
primeira prisão, determinada por um deputado da direita
católica, Lorca foi acusado de ser “mais perigoso com a caneta
do que outros com o revólver”.
Curioso é que o escritor andaluz flanou acima das
ideologias radicais. Em entrevista ao periódico Sol de Madrid,
chegou a declarar:
Eu sou integralmente espanhol e me seria impossível
viver fora de meus limites geográficos; mas odeio aquele
que é espanhol por ser espanhol e nada mais; eu sou irmão
de todos e execro o homem que se sacrifica por uma idéia
nacionalista, abstrata, pelo único fato de que ama sua pátria
com uma venda nos olhos. O bom chinês está mais perto
de mim do que o mau espanhol. Canto a Espanha e a
sinto até a medula, mas antes disso sou homem do mundo
e irmão de todos.Assim, não creio na fronteira política.
O amor e a morte
A obra de Federico García Lorca é de uma intensidadeímpar, e revela um universo semântico e imagético atordoante.
O autor recusou todos os rótulos que tentaram lhe
impingir. Até mesmo o de surrealista, embora seu poema “Cata-vento”, que abre o primeiro Livro de Poemas do autor,
em 1920, antecipe os postulados do movimento apresentados
pelo francês André Breton quatro anos depois.
Assim, no “Primeiro manifesto Surrealista”, Breton formalizou
o que Lorca já fazia na prática, daí a recusa do rótulo.
Eros e Tanatos, o amor e a morte, regem a poética de
Lorca. A Lua é a metáfora mais recorrente na obra do autor,
geralmente simbolizando esta última, e, às vezes, a beleza
e o erotismo. O sangue é outra metáfora que se repete.
Fluido vital, é morte quando derramado, mas pode significar
o sexual e o fecundo.
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