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A LÍRICA DA LIBERDADE
 

 

As preferências homossexuais de Lorca não o impediram de ser um grande conhecedor de mulheres, a quem estimava devotadamente. Teve inúmeras amigas e lhes compreendeu a natureza de modo raro.

 

Uma das mais notáveis definições da magia de estar grávida se encontra em sua peça Yerma. A protagonista sonha obsessivamente com um filho que não vem. Um dia, conversando com Maria, uma vizinha grávida, pergunta-lhe ansiosa como


é, e obtém a seguinte resposta: “Nunca tiveste um pássaro vivo apertado na mão? Pois é o mesmo... mas por dentro do sangue”.

 

As influências das terras de Andaluzia sempre permearam a obra de Lorca. Ele foi uma das maiores vozes do Modernismo na Espanha, e talvez no mundo. Sua bondade serena somada a sua criatividade turbulenta fizeram dele um homem e um criador acima de qualquer ideologia ou estética.


Um niño andaluz
Mais velho de quatro irmãos, Federico García Lorca nasceu a 5 de junho de 1898 em Fuentevaqueros, na província de Granada, região da Andaluzia. Foi um menino frágil que só andou aos quatro anos de idade. Sua mãe, Vicenta Lorca Romero, era uma mulher culta e sensível que lhe ensinou as primeiras letras.


Prosseguiu os estudos com o professor don Antonio Rodríguez Espinosa, e depois no Colegio del Sagrado Corazón de Granada. Aos dez anos, Lorca começou a receber aulas de guitarra e piano, instrumentos que chegou a dominar. Além da Música e da Literatura, o autor foi um desenhista talentoso e original.


Aos 17 ingressou na universidade de Granada, onde estudou Direito, curso que só concluiria oito anos depois. A demora se deveu a uma série de viagens de estudos empreendidas. A mais importante foi realizada na companhia de seu professor Martín Domínguez Berrueta. Naquela oportunidade percorreram toda a Espanha, e o poeta “descobriu” seu país.


Em trânsito por Madri, Lorca conheceu o cineasta Luis Buñuel, o dramaturgo Eduardo Marquina e o poeta Juan Ramón Jiménez – que viria a ser o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1956.

 

Em março de 1920, estreou El Maleficio de la Mariposa, sua primeira obra dramática. No ano seguinte, publicou sua primeira obra em versos, Libro de Poemas. A partir de então, desenvolveu
uma intensa atividade cultural, publicando diversos livros e encenando várias peças de teatro. Seu círculo de amigos cresceu, envolvendo entre outros, o músico espanhol Manuel de Falla e o mestre do surrealismo Salvador Dalí. Paralelamente à intensa vida social, cresceu também seu prestígio como um talento incontestável.

 



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