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A INQUIETUDE AMAZÔNICA
 

 

Ao receber os prêmios Jabuti e Portugal Telecom, o escritor natural de Manaus se consagra como um dos principais ficcionistas da atualidade

 

Ele nasceu em Manaus, passou parte da infância em Brasília, estudou em São Paulo, na França e na Espanha, lecionou nos Estados Unidos. Atualmente mora na capital paulista, mas no próximo ano voltará a viver nos Estados Unidos e ainda sonha em morar no Rio de Janeiro. Homem do mundo e em permanente
mudança, Milton Hatoum é também um autor universal. Sua rica infância no mundo árabe de Manaus e a experiência de andarilho moldaram o escritor que é hoje. Bem redigida, sua literatura é limpa de cacos modernistas e lembra os grandes romances do passado. Não por acaso, suas grandes paixões são Flaubert e Faulkner, dois excelentes mestres na arte de tornar universal um mero drama familiar.

 

A busca pela simplicidade exige sacrifícios. Um deles é o tempo para urdir o texto e deixá-lo de seu agrado. Uma crítica pertinente é o suficiente para reescrever um livro inteiro, como de fato fez com Dois Irmãos (2000), seu segundo livro – precedido por Relato de um Certo Oriente (1989) e seguido de Cinzas do Norte (2005). Esse último ganhou o Jabuti 2006 de melhor obra de ficção e diversos outros prêmios, como o Portugal Telecom na mesma categoria. Dois Irmãos, também bastante premiado, foi considerado por uma parte da crítica o livro da década. Seus personagens centrais, os gêmeos Yaqub e Omar, entraram para a galeria de nomes antológicos da Literatura brasileira.

 

Em entrevista, Hatoum apresenta o tema de seu quarto livro, a ser lançado provavelmente em 2007, “a não ser que tenha que reescrevê-lo por inteiro”, como ele mesmo diz. O enredo agora não trata mais de jovens desgarrados da sociedade, mas narra a história de um velho às voltas com um passado de amor e um presente decadente no interior do Amazonas. A seguir, trechos da entrevista concedida a Discutindo Literatura:

 

DISCUTINDO LITERATURA (DL) O que o moveu a passar da carreira de professor a escritor?
MILTON HATOUM (MH) – Antes de começar a dar aulas eu já escrevia, só que não havia publicado nada. Aliás, só um livro de poemas de 1978, chamado Poesia dos Corpos. Nesse período estava me formando em Arquitetura pela FAU/USP, e depois fui morar na Espanha e na França, onde fiz o mestrado. Quando voltei para Manaus, em 1984, ingressei como professor na Universidade Federal do Amazonas, mas eu já tinha, nessa época, o esboço do meu primeiro romance, Relato de um Certo Oriente (1989). O ofício de professor, na verdade, não dificultou o trabalho de escritor. Acho que no fundo o magistério me ajudou a escrever. O trabalho de professor exige muito. Tem que ter muita dedicação, dar muitas aulas, muitas leituras.

 



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