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Com inteligência sofisticada,
o cineasta
consolidou-se
como um dos artistas
contemporâneos de
maior versatilidade
É agradável, de vez em quando, tentar imaginar o
que teria sido a
existência se Deus tivesse conseguido orçamento e roteirista melhores. |
Essa bem-humorada pérola filosófica foi
cunhada por Allen Stewart Konigsberg, um
sujeito franzino de ar melancólico mais conhecido
como Woody Allen. Especialista em
ironias do gênero (veja o quadro "Língua
mordaz"), o nova-iorquino de 72 anos se
apresenta toda terça-feira tocando clarineta
ao lado de sua banda de jazz no bar do
Carlyle Hotel, em Manhattan. Hábito tão religiosamente
cultivado que nem o fato de ser
um dos indicados – e favoritos – ao Oscar de
melhor direção de 1978 cancelou sua apresentação
no pequeno clube em que tocava
na época. Mesmo se tratando da cerimônia
mais importante da poderosa indústria cinematográfica
estadunidense. E ainda assim
recebeu o tão cobiçado prêmio daquele ano.
Embora ele mesmo tenha dito que a atitude
política mais firme de toda sua vida tenha
sido ficar 24 horas sem comer uvas, Allen
deixou claro nesse episódio seu menosprezo
pelo vazio glamour hollywoodiano. Mescla de
rebeldia e de uma obstinada aversão a badalações,
esse comportamento lhe dificultou a
vida nos meios cinematográficos. Não impediu,
porém, que público e crítica o consagrassem
como um dos maiores talentos cômicos
de todos os tempos.
No início, o verbo
Mais conhecido como ator e diretor,
Woody Allen iniciou sua carreira como autor
de textos cômicos publicados em jornais ou
apresentados por comediantes em cabarés e programas de rádio, nos anos 50. Em 1964,
o próprio Allen apresentava seus esquetes
numa casa noturna de Manhattan, quando
foi descoberto pela atriz Shirley MacLaine e
pelo produtor Charles Feldman. Cativado pelo
humor perspicaz do texto, Feldman encomendou
a Allen seu primeiro roteiro, que um
ano depois resultou no filme O Que É Que
Há, Gatinha? (What’s New, Pussycat?), estrelado
por Peter Sellers, e no qual o roteirista
também atuou.
De fina inteligência e vasta cultura, Allen
nunca cursou uma faculdade. Diz ele que
tentou, mas foi expulso por duas vezes: a primeira
sob a acusação de “ter sonhos eróticos durante a aula de Epistemologia”; a segunda
porque o professor de Metafísica o “flagrou olhando para a alma de um colega
durante uma prova”.
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