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Autor de praticamente todos os roteiros
de seus filmes, Allen tem na afiada verve humorística
seu maior trunfo. Em Testa de Ferro
por Acaso, de 1976 – que também dirigiu –,
ele interpreta um sujeito sem talento para a
escrita, que acaba servindo de testa-de-ferro
para um grupo de roteiristas impedidos de
trabalhar por terem
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os nomes na lista negra
do Comitê de Investigação de AtividadesAnti-Americanas, presidido pelo então senador
estadunidense Joseph MacCarthy. Além de seu trabalho com roteiros, Allen
manteve sua atividade de escritor, colaborando
com a importante revista The New
Yorker. Seu primeiro livro, Cuca Fundida
(Getting Even, 1971), é uma compilação de textos
seus escritos para a revista nova-iorquina.
Paródias nonsense
Eu estava tranqüilamente em meu
escritório, limpando os restos de
pólvora do meu 38, e imaginando
qual seria o meu próximo caso.
Gosto muito dessa profissão de detetive
particular e, embora ela me
obrigue de vez em quando a ter as
gengivas massageadas com um
macaco de automóvel, o aroma das
abobrinhas até que faz a coisa valer
a pena. Sem falar nas mulheres, nas
quais não costumo pensar muito,
exceto quando estou respirando.
Cuca Fundida, L&PM Pocket
O Cara, texto que abre Cuca Fundida, é
uma paródia das histórias de detetive. No estilo
seco que celebrizou nomes como Dashiell
Hammet (O Falcão Maltês), ela é narrada por
Kaiser Lupowitz, um detetive particular de
Nova York, que certo dia recebe em seu escritório
a visita de uma loira escultural à procura
de alguém. Só que esse alguém não é um cara
qualquer. É O Cara: Deus.
De origem judia, o Detetive Lupowitz
inicia sua busca com o interrogatório de
um rabino. Este, questionado a respeito de
sua certeza da existência de Deus sem nunca
tê-lo visto, responde: “Que pergunta
mais cretina! Como eu poderia usar um
terno caro como este se Ele não existisse?
Olhe aqui, sinta o tecido. Caríssimo! Como
posso duvidar de sua existência?” (Allen,
de família judia, não perde a oportunidade
de satirizar os judeus.)
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