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Romance, conto, crônica e até poesia: conheça
o universo criativo por trás do trabalho do escritor gaúcho
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Em 70 anos de vida, ele escreveu
cerca de 70 livros. Foi do conto à prosa
com a mesma versatilidade. Embrenhou-se na difícil tarefa de escrever
para crianças e adolescentes. Apurou
seu senso narrativo e de síntese nas
obrigações dos espaços limitados de
um jornal, como as crônicas que ainda
escreve na Folha de S.Paulo e no Zero
Hora. Passeou pelo ensaio, em que
misturou História, Medicina e Judaísmo.
Ah, e não se deve esquecer
de Os Deuses de Raquel (1974), sua única incursão na poesia.
A difícil tarefa de dominar tantos
gêneros literários foi realizada com
maestria por esse escritor gaúcho
em mais de cinco décadas dedicadasà Literatura e à Medicina. Como
muitos já sabem, Moacyr Scliar também
é médico sanitarista e se valeu
da experiência em asilos e hospitais
mais pobres como fonte inesgotável
de sua narrativa.
Para um escritor tão prolífico, no
bom sentido do termo, como definilo
em poucas palavras? Talvez a melhor
resposta seja que esse autor é
um narrador por excelência, ou seja,
um exímio contador de estórias e da
História. Esse talento se originou na
infância, ouvindo seus pais contarem
as narrativas de Monteiro Lobato e
de Hans Christian Andersen. Crescer
no ambiente familiar judaico também
foi essencial para muito dos temas
religiosos desenvolvidos pelo
escritor, como em A Mulher que Escreveu
a Bíblia (1999), pelo qual recebeu
o prêmio Jabuti de melhor romance
de 2000, e em Os Vendilhões
do Templo (2006), que ele mesmo
considera seu livro mais complicado,
que levou 13 anos para ser concluído.
Membro da Academia Brasileira
de Letras desde 2003, sua eleição foi
unanimidade entre os gaúchos, ainda
mais como resposta à decisão da
Academia em preterir o poeta gaúcho
Mário Quintana no início dos
anos 90. Mas isso não significa que
Moacyr seja bairrista na escrita. Ao
contrário, sua Literatura nada tem de
regional, alcançando o universal de
forma simples e poética. Para falar
sobre sua produção literária, Scliar
deu a seguinte entrevista a Discutindo
Literatura.
DISCUTINDO LITERATURA (DL) – O
senhor teve uma infância lúdica, imaginativa,
com presença dos seus pais como
narradores inventivos. A infância foi fundamental
para desenvolver sua escrita?
Moacyr Scliar (MS) – Foi, por várias razões.
Em primeiro lugar pelo bairro onde
nasci e me criei, o Bom Fim de Porto Alegre,
um lugar de intensa vivência comunitária,
onde as pessoas (imigrantes, em geral)
se reuniam para contar suas histórias.
Depois, a influência do meu pai, mestre
na arte de narrar histórias, e de minha
mãe, professora e grande leitora. E por último,
a imaginação infantil, no meu caso
sempre funcionando a todo vapor.
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