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DL – A Medicina e a tradição judaico-cristã
costumam formar as bases de sua
Literatura. Como esses dois elementos
forjaram o escritor Moacyr Scliar? Mais
ainda, considerando o dito que versa
sobre a necessidade quase vital que um
escritor tem de escrever, por que esses
dois elementos foram tão importantes
no seu trabalho?
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MS – A Medicina representa um verdadeiro
mergulho na condição humana,
porque, na doença, sobretudo na doença
grave, caem todas as máscaras; a pessoa
se revela como é. Médicos e escritores
valorizam a palavra; os primeiros como
instrumento de diagnóstico e terapia; os
segundos como ferramenta estética. E a
Saúde Pública, à qual me dediquei, foi
uma porta para a realidade brasileira.
Quanto à tradição judaico-cristã, ela se
baseia na Bíblia, que é uma esplêndida
coletânea de narrativas (mesmo para o
leitor não-religioso, como o meu caso) e
uma vivência emocional transcendente.
DL – Ainda sobre esses dois elementos,
o senhor acha que os trata de maneira
diferente hoje do que fazia no começo
da carreira, ou seja, sua visão
sobre esses dois temas mudou ao longo
da sua vida?
MS – Sim, fui mudando ao longo de minha
vida e acho que hoje abordo estas
temáticas de forma mais madura. Mas
não as esgotei. Ainda falta muito para
dizer a respeito...
DL – Na sua juventude, o senhor sentia a
necessidade de fazer uma Literatura engajada.
Esse engajamento ainda é forte
na sua escrita?
MS – É forte, mas é diferente. Não está
mais atrelado a ideologias, e sim a princípios
gerais, como a necessidade de combater
a desigualdade e a injustiça social.
DL – Tendo escrito em quase todas as
formas literárias, é possível identificar
uma preferência pelo conto ou pelo
romance?
MS – Gosto de ambos os gêneros, mas
ainda acho que o conto representa um desafio
maior. É mais difícil escrever um bom
conto do que um bom romance. Este pode
ter partes melhores e partes piores;
será avaliado pelo conjunto. O conto, não: nasce bom ou nasce ruim, e neste último caso, na minha experiência, não
tem conserto...
DL – Em “Os Contistas”, o senhor brinca
com o desprezo que certos editores nutrem
por esse gênero. O senhor acha que
ainda hoje o conto é identificado pelos
editores como forma literária menor?
MS – Sim, ainda existe uma prevenção
em relação ao conto. Os editores relutam
muito em arriscar nesse gênero.
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