|
Vanguardista, polêmico, briguento... vários são os adjetivos dados
ao desenhista e roteirista,
um dos responsáveis pelo
amadurecimento dos
quadrinhos nos anos 80
|
Nascido em 27 de janeiro de
1957 na cidade de Olney,
Maryland, EUA, Frank Miller é um dos mais cultuados
quadrinistas contemporâneos, ao
lado dos britânicos Alan Moore e
Neil Gaiman. Miller teve seu primeiro
trabalho publicado na revista The
Twilight Zone, em 1978. Foi capista
e desenhista substituto até receber
o convite para ilustrar as revistas
do Homem-Aranha.
Com seu olhar visionário, pediu
ao editor Jim Shooter que lhe deixasse
trabalhar nas histórias do Demolidor,
um fracasso editorial com baixas
vendas e péssimas histórias. Estreou
na edição número 158, em 1979. Já
em seu primeiro contato com a revista do personagem Matt Murdock,
Miller desenvolveu seu estilo noir,
contrastando luz e sombra, com enquadramentos
influenciados pelo cinema.
Daí em diante o Homem Sem
Medo (apelido do herói) voltou a respirar
aliviado, conquistando leitores
e alavancando as vendas.
A edição número 168 foi duplamente
importante, pois marcou o
surgimento da ninja assassina Elektra
e a estréia de Miller como roteirista
do título, além de manter a
função de desenhista. A personagem
ganhou popularidade, e o autor
passou a incluir temas mais
sombrios no universo do Demolidor,
que se tornava cada vez mais
semelhante às asperezas do mundo real. Isso fica explícito quando um
vilão mata Elektra – por quem o personagem
estava apaixonado. Um fato
marcante para a época, quando
morte de personagens importantes
era incomum. O toque de Miller
transformou o Demolidor num dos
mais populares heróis da Marvel.
Entre roteiros inteligentes e muita
ação era possível notar no desenvolvimento
do artista uma preocupação
literária maior. Embora fosse
grande apreciador de quadrinhos,
Miller não deixava de ler bons livros.
E sabia do potencial expressivo de
sua arte: se os quadrinhos de superheróis,
que têm forte apelo comercial,
se aliassem a histórias bem escritas,
o impacto seria enorme. E foi!
As influências recebidas dos
mangás japoneses ficaram mais evidentes
com a minissérie Ronin (encadernada
pela Opera Graphica, em
2005), de 1983. Com esse trabalho –
o primeiro a ser colorizado por sua
mulher, Lynn Varley –, Miller refinou
suas técnicas de desenho e roteiro.
Ronin foi seu trabalho mais
influenciado pelos quadrinhos japoneses,
principalmente pelo Lobo
Solitário, de Kazuo Koike e Goseki
Kojima, um dos mais importantes
mangás de todos os tempos. Miller
encontrou a sintonia perfeita entre
quadrinhos ocidentais e orientais,
entre ficção científica e histórias de
samurais, tornando a obra um grande
sucesso de vendas.
|