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Em meados dos anos 80 já havia
uma demanda por histórias mais
maduras, com roteiros consistentes e
de caráter mais literário. Assim, em
1986, chegava ao mercado a minissérie
O Cavaleiro das Trevas, desenhada
e escrita por Miller. A obra é um olhar
sombrio sobre Batman situado em
um futuro próximo, no qual
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Gotham
City é assombrada pela violência desenfreada
das gangues e pela corrupção.
Miller mostrou o herói como um
vigilante violento e inescrupuloso,
lutando por seus ideiais contra um
Super-Homem reacionário e alienado,
tudo muito diferente da clássica
imagem dos heróis dos anos 60 e 70.
Ainda em 1986, Miller voltou a
trabalhar com o Demolidor, escre- vendo A Queda de Murdock, desenhada
pelo artista David Mazzucchelli.
Ao humanizar o Demolidor e
contar detalhes da vida pessoal de
seu alter ego, a série foi tão importante
para o personagem como O
Cavaleiro das Trevas havia sido para
Batman. No fim do mesmo ano profícuo,
Miller roteirizou Elektra Assassina.
Os desenhos do quadrinista
Bill Sienkiewicz eram tão inovadores
que Miller teve de reescrever os roteiros,
formando um conjunto entre
texto e imagem que posteriormente
influenciaria muitos artistas. Em
1987, o autor reencontrou Mazzuchelli
para fazer uma releitura sobre
as origens do homem-morcego no
arco de histórias intitulado Batman
Ano Um. A série se tornou quase tão
popular quanto O Cavaleiro das Trevas,
e ambas colaboraram para o retorno
da estética gótica do herói vista
em filmes como Batman (1989, de
Tim Burton) e Batman Begins (2005,
de Christopher Nolan).
A década de 90 e o século 21
Como discordava radicalmente
das censuras impostas pela DC,
Miller acabou mudando de editora
e começou a lançar seus trabalhos
pela Dark Horse. Ainda chegou a
lançar um trabalho pela Marvel, o
mediano Elektra Vive (Abril, 1991),
destacando-se mais pelo estilo de
desenho, que se tornaria a marca registrada
do autor nos anos seguintes,
do que pelo roteiro.
Ainda em 1990, Miller e o artista
Geoff Darrow criaram a minissérie
Hard Boiled (encadernada pela Pandora
Books, em 2002), uma excelente
mistura de violência com humor
negro, espécie de cruzamento entre os filmes Laranja Mecânica e Blade
Runner. Na mesma época, Miller e
Dave Gibbons finalizaram Liberdade:
A Qualquer Custo, encadernado
pela brasileira Mythos em 2006.
Misturando ação com política e ficção
científica, a série teve ótima repercussão
e o consagrou como autor
de quadrinhos adultos.
Em 1991, Miller iniciou um trabalho
mais autoral: a série Sin City, inicialmente
publicada na revista Dark
Horse. Produzida durante quase dez
anos, seu sucesso foi tão grande que
deu origem a um filme homônimo,
dirigido por Robert Rodriguez em
2005. Apesar de seu trauma como roteirista
de cinema causado pelas seqüências
de Robocop, Miller acabou
co-dirigindo o longa, voltando a trabalhar
com Hollywood. Sin City é
considerado uma das mais fiéis
adaptações de quadrinhos. Uma seqüência,
também dirigida pela dupla,
está prometida para 2008.
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