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LITERATURA COM O PÉ NA ESTRADA
 

 

 

Há 50 anos, livro de Jack Kerouac tornou-se símbolo da Geração Beat,
movimento precurssor da transgressiva contracultura da década de 1960

 

No ano de 1957 faleceu o senador norte-americano Joseph McCarthy, figura capital de um dos mais vergonhosos capítulos da
história política dos Estados Unidos da América do Norte. À frente do inquisitorial Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas, de 1953 a 1954, McCarthy colaborou para a disseminação da paranóia anticomunista que grassava nos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Os excessos arbitrários do senador em sua cruzada fundamentalista de caça aos “maus americanos” acabaram por afastá-lo do comando do Comitê, mas a Red Scare Era (Era do Pânico Vermelho) perdurou ainda até fins de 1956.


Coincidentemente, 1957 foi o ano em que a editora nova-iorquina Viking Press publicou a primeira edição de On the Road (Pé na Estrada), novela de Jack Kerouac. Com Uivo (Howl, 1956), de Allen Ginsberg, e O Almoço Nu (The Naked Lunch, 1959), de William Burroughs, On the Road tornou-se ícone da Geração Beat, movimento artístico que rompeu com paradigmas estéticos e ideológicos até então dominantes na produção cultural estadunidense.

 

Se estivesse ainda em voga o nefasto macartismo, certamente Kerouac estaria em maus lençóis perante o temido comitê. Com sua linguagem livre, ritmo frenético e explícito desprezo pelos valores cultivados pela próspera burguesia estadunidense do pósguerra, On the Road era, sem dúvida, o que poderíamos chamar eufemisticamente de um “chute nas partes baixas” do bom-mocismo asséptico e sorridente do american way of life dos anos 1950.

 

No ritmo do bebop
O conservadorismo da sociedade estadunidense, embevecida com seu sonho de prosperidade econômica e ascensão social, era refletido na produção cultural, em especial na Literatura, na qual predominava um academicismo bem-comportado, exacerbadamente racional e formalista. Havia, no entanto, vozes dissonantes no coro dos contentes. Na Universidade de Columbia, em Nova York, um grupo de estudantes se inspirava nas idéias libertárias e transgressoras de autores nada ortodoxos, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, William Blake e Walt Whitman.


Nascido na pequena cidade de Lowell, em 1922, Jack Kerouac era um espírito nômade. Viera para Columbia com uma bolsa de estudos concedida por jogar futebol americano, e logo se identificou com Allen Ginsberg, que editava uma revista de humor na universidade. Os dois freqüentavam o apartamento de William Burroughs, escritor e marginal por opção, e dono de uma extensa biblioteca. Lá eles se reuniam para beber, ler poesia e ouvir discos de bebop.

 



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