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Ao criar situações estapafúrdias a partir de fatos banais, o grupo de
comediantes ingleses desenvolveu um estilo particular de fazer comédia
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A campainha toca em uma típica casa
da classe operária inglesa. À porta
estão dois homens vestindo jalecos
brancos. Quando ela é aberta pelo
morador, um dos homens de jaleco consulta
uma ficha e pergunta pelo Sr. Fulano de Tal,
doador de fígado. O morador confirma que é
o Sr. Fulano de Tal e que de fato doou o fígado.
O homem de jaleco anuncia que vieram
buscar o fígado doado. Apesar dos protestos
do doador, os outros dois o agarram e arrastam-no para dentro. Colocam-no sobre a mesa
da cozinha. Um deles saca um enorme alicate
de cortar arame e começa a usá-lo no
homem, que grita e esperneia. O sangue esguicha
como em uma fonte.
Chega a esposa, de avental e bobes no
cabelo, e o homem que não está estripando
o doador calmamente explica o que vieram
fazer, mostrando a ficha.
“Ah! É bem típico dele... sempre querendo
salvar o mundo. Eu falei que um dia ele ia
se complicar com isso.” – diz a dona de casa,
abanando a cabeça.
O homem que manipulava o alicate, todo
manchado de sangue, exibe o fígado nas mãos.
“E a senhora? Tem algum plano agora
que vai ficar sozinha? Não gostaria de doar o
fígado?”
“Bem... eu não sei...”
“A senhora está indecisa... pois venha
ver uma coisa.”
Ele abre a porta da geladeira e de dentro
dela sai um homem vestindo um fraque
cor-de-rosa, cartola e bengala. Começa a
tocar uma música alegre. O homem de rosa
quebra a parede com um golpe de bengala
e sai de braço dado com a mulher,
passeando pelo céu. Ele canta uma canção
enumerando dados científicos sobre o sistema
solar, a Via Láctea e outras galáxias,
mostrando o quanto a existência humana é insignificante perante a imensidão do
Universo. Ao final da canção voltam à cozinha,
e o homem entra novamente na geladeira
de onde saiu. A mulher assina o documento
de doação.
Essa seqüência hilariante de disparates faz
parte do filme O Sentido da Vida (The Meaning
of Life, 1983), produção do grupo humorístico
inglês Monty Python. O grupo surgiu em
1969, quando estreou na TV inglesa o Monty
Python’s Flying Circus, programa escrito, interpretado
e dirigido pelos próprios integrantes.
O programa consistia numa série de
quadros independentes que retratavam situações
absurdas, de uma comicidade anárquica
e com tons surrealistas. Numa das cenas,
um homem entra em uma loja de
animais para reclamar, trazendo uma gaiola
com um papagaio empalhado, e o dono da
loja argumenta para convencê-lo de que o
animal não está morto.
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