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POETAS QUE (AINDA) NÃO FORAM PRA ESCOLA!
 

 

DL – Como é possível, ou mais fácil, encontrar seus livros e seus poemas?
GM – Tenho dezenas de títulos, mas poucos por editoras comerciais. As dicas e links estão nos menus do meu próprio sítio, mas em breve tudo passa a ser editado ou reeditado pela Dix, selo da Annablume. Os endereços são: glaucomattoso.sites.uol.com.br e www.annablume.com.br.


DL – Quem é que lê poesia hoje, na sua opinião?
GM – Depende da poesia. O cordel, a trova, o haicai e o concretismo continuam com seu público cativo, que não tem idade. Mas um formato clássico e secular, como o soneto, será mais lido pelas novas gerações caso o poeta faça, como eu, um mix da linguagem formal com a fala e as temáticas atuais, inclusive as barbaridades morfológicas e semânticas...


DL – Os professores poderiam dar uma força maior para a leitura da poesia contemporânea? Como fazer isso?
GM – No meu caso já dão, considerando a quantidade de TCCs, dissertações e teses sobre minha obra, e acho que a explicação é meu estilo porrada, que vai direto no fígado (para quem tem estômago) ou no estômago (para quem tem fígado), sem contar os que têm medo...

 

DL – A poesia que chega às escolas é a melhor?
GM – Nem sei o que está chegando, mas se ainda for Drummond e Vinícius, acho que é das boas. Mas também é preciso recuar até Gregório ou avançar até, digamos, Glauco Mattoso... Tenho notado que, pelo menos nas faculdades, a contemporaneidade começa a ser notada. O pessoal já não é tão necrófi lo.


DL – Indique um livro seu e como adquiri-lo:
GM – Indico dois, um da fase visual, o fanzine anarco-poético Jornal Dobrabil, reeditado pela Iluminuras, e um mais recente, a antologia Poesia Digesta, editada pela Landy. Estão nas livrarias virtuais ou nos sítios das editoras: www.iluminuras.com.br e www.landy.com.br.


DL – Por que você escolheu ser poeta apesar de tudo?
GM – Quintana já deu a resposta, mas também a adoto. A poesia é que escolhe a gente. No meu caso, acrescento que não tive outra escolha, já que não quis me suicidar, nem me alcoolizar, nem me drogar. Preferi o vício do ofício para desabafar a revolta.


DL – O que fazer para convencer os jovens a ler poesia?
GM – Simples. Basta dizer que é melhor que a droga, que o álcool, que o fumo, que o jogo. Mas cuidado! O Ministério da Contracultura adverte: poesia vicia.

 

Ulisses Tavares é poeta e autor
de Ferinha Mel (Escala Educacional, 2007), entre outros.

 



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