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Festejado como um dos maiores autores brasileiros vivos,
João Ubaldo Ribeiro constrói uma aclamada obra que inspira
teatro, cinema, televisão e muitos novos escritores
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João Ubaldo Ribeiro é, aos 67
anos, um dos escritores brasileiros
contemporâneos mais consagrados.
Sua importância pode
ser avaliada pela quantidade de
exemplares vendidos: mais de 3
milhões, o que o coloca entre os
autores best-sellers de nossa literatura,
sendo seus trabalhos traduzidos
em dezenas de países.
Além dos livros e das adaptações
bem-sucedidas para outros
meios, como o cinema (Sargento
Getúlio), a televisão (O Sorriso
do Lagarto) e o teatro (A Casa
dos Budas Ditosos), outro fator
contribui para a popularidade
desse baiano nascido na ilha de
Itaparica: suas crônicas, publicadas
em vários jornais do país,
veículos que aproximam suas
idéias e textos, todas as semanas,
de uma grande quantidade
de potenciais leitores.
Nessas crônicas, Ubaldo revela uma face que extrapola a do
escritor, situando-o entre os influentes intelectuais do grupo de “formadores de opinião”: é considerado
um dos principais críticos
do governo Lula, que já classificou de “incompetente”. “Não
gosto dessa posição, não gosto
de aparecer, mas fazer o quê? É
inevitável se indignar com certas
coisas”, dizia o autor em entrevista
de 2005. Na mesma ocasião,
fazia ainda afirmações polêmicas,
como a de que brasileiros ricos
e pobres são igualmente desonestos
e que o sistema de cotas
significa um esforço para dividir
o Brasil em raças. Pós-graduado
em administração pública, acredita
que seus conhecimentos na área o tornam capaz, senão de
interferir, pelo menos de analisar
o processo político do país.
Literatura de raízes
Fortemente ligada ao social e
ao popular, sua obra não se descuida
de um estilo apurado, caracterizando-se por uma linguagem
que chega a ser saborosa,
e harmoniza seus compromissos
estético e humano. Em suas palavras: “Procuro, basicamente,
fazer uma literatura vinculada às minhas raízes, independente,
não colonizada, comprometida
com a afirmação da identidade
brasileira. Procuro explorar a língua
brasileira, o verbo brasileiro
e, através dele, contribuir para o
aguçamento da consciência de
nós mesmos. Sou contra as belas-letras,
a contrafação, o elitismo.
Acho que o principal problema
do escritor brasileiro é a busca da
nossa linguagem, do nosso fabulário,
dos nossos valores”.
Essa constante preocupação
com a realidade do país, em relação
à qual procura manter a
esperança, transparece na ficção
de Ubaldo. Um de seus maiores
sucessos literários é o romance
Viva o Povo Brasileiro, editado
originalmente em 1984, quando
o país ainda não havia passado
pelo processo que restaurou a
democracia e reconduziu os civis
ao poder, após 21 anos de ditadura
militar. No livro, cuja ação
principal transcorre no Recôncavo
Baiano, o autor apresenta
a história de pessoas comuns,
contando suas trajetórias em diferentes
momentos da história
do Brasil, desde antes da chegada
dos colonizadores portugueses
até por volta da década de
1970. Com isso, Ubaldo recorta
aspectos de nossa cultura e civilização,
que poderiam integrar
um painel com uma visão “alternativa”
ou, no mínimo, complementar à da história oficial.
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