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De sua leitura, resulta, além da
satisfação de experimentar uma
obra de ficção muito bem estruturada,
a reflexão sobre conceitos
importantes como a própria
identidade nacional.
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Fora do altar
Vale registrar que o autor declara
ter aversão à precisão de datas
e fatos que exija uma pesquisa
mais sistemática – elementos essenciais
ao gênero que se convencionou
chamar de “romance histórico”.
Seu processo criativo chega
a ser desorganizado: “Escrevo de
uma forma esdrúxula. Bato o título,
a dedicatória, a epígrafe, que
eu mesmo invento, e fico pensando
no livro o dia inteiro, trabalhando,
falando sobre ele com amigos e
com minha mulher. E ele vai acontecendo”,
diz Ubaldo. A idéia de
escrever Viva o Povo Brasileiro surgiu no ano de 1981, quando morava
em Portugal, terra de seu avô
paterno. Na gênese da obra estaria
um desafio de seus editores, para
que o autor – cujos livros, em geral,
tinham poucas páginas – escrevesse
um “romanção”. Lembrouse
também de que seu pai sempre
dizia: “Livro que não fica em pé
sozinho não presta”. Para sustentar-
se na eternidade, o livro deveria
fazê-lo, primeiro, na estante...
Assim, diante da provocação, concluiu,
ao voltar a Itaparica, o volume
de mais de 700 páginas, que
pensou, inicialmente, em batizar
de Alto Lá, Meu General.
Outro sucesso de público, A
Casa dos Budas Ditosos, foi escrito
por encomenda da editora Objetiva,
que pretendia lançar uma
coleção de sete livros denominada
Plenos Pecados, focalizando
cada um dos pecados capitais. O
tema que coube a João Ubaldo
foi o da luxúria. Ele respondeu
ao desafio narrando, em primeira pessoa, o extenso depoimento
de uma mulher que, quase
aos 70 anos, relembra sua vida e
como praticou, sem culpa, uma
ampla gama de variantes sexuais.
Essa temática fez com que parte
dos leitores o considerasse “obra
menor”, simples pornografia,
enquanto outros identificaram
no enredo um conteúdo libertário.
Adaptado por Domingos de
Oliveira, o texto foi levado aos palcos como um monólogo pela
atriz Fernanda Torres.
BREVE BIOGRAFIA
João Ubaldo Osório Pimentel
Ribeiro nasceu em Itaparica, na
Bahia, em 23 de janeiro de 1941.
Passou a maior parte da infância
em Sergipe e formou-se em direito
pela Universidade Federal da
Bahia, mas não chegou a exercer
a profissão de advogado. Antes
da literatura, seu sustento vinha
do jornalismo, atividade que
praticou desde os 17 anos e que
ensinaria valiosas lições ao futuro
escritor. Ubaldo trabalhou em
vários jornais do Rio de Janeiro, de
Salvador e Lisboa, como repórter,
copidesque, chefe de reportagem
e editor-chefe. Morou dois anos em
Portugal, sendo bolsista da
Fundação Calouste Gulbenkian.
Antes, participou do International
Writing Program da Universidade
de Iowa, nos Estados Unidos. Viveu
na Alemanha entre 1990 e 1991,
período retratado no volume de
crônicas Um Brasileiro em Berlim.
Lá, escreveu crônicas para um
suplemento cultural e artigos
para uma revista, além de peças
radiofônicas. Ainda na Alemanha,
recebeu o prêmio literário Anna
Seghers, dedicado a autores
latino-americanos. No Brasil, uma
de suas principais premiações foi
o Jabuti de melhor romance de 1984, para Viva o Povo Brasileiro:
sua segunda condecoração no
evento, que já o havia premiado,
em 1971, como melhor autor por
Sargento Getúlio. Em 1994 tomou
posse na Academia Brasileira de
Letras, onde ocupa a cadeira nº 34.
Entre aquele ano e 2002, o escritor
enfrentou problemas derivados
do alcoolismo, culminando numa
grave pancreatite, que quase o
matou. Segundo ele, o abandono
do vício e sua cura se deram “pela
via religiosa”, declarando-se devoto
de Nossa Senhora do Perpétuo
Socorro. Mora há cerca de 16 anos
no Rio de Janeiro.
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