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Vida e olhar combativos dão o tom da escrita intensa e apaixonada de Isabel Allende
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Muitos só conhecem Isabel
Allende como a autora de A
Casa dos Espíritos (1982), bestseller dos anos 1980 adaptado para
o cinema com atores como Antonio
Banderas e Winona Ryder
no elenco. Contudo, a trajetória
da escritora chilena revela mais
surpresas do que o tempo de duração
de um filme pode conter. Mulher forte, com uma vida tão
sofrida quanto combativa, Isabel
compõe seus romances com ingredientes que mesclam personagens
intensas, uma visão particular
sobre a história de seu país, os desvãos e as reinvenções da
memória e um engajamento político
e feminista, além de uma pitada de imaginação que flerta
com o realismo mágico.
Na obra da autora, tudo se
(con)funde: vivência, história,
memória, magia. Sua palavra está
impregnada de seu calor, de suas lágrimas, de seu modo de
estar no mundo e de percebê-lo.
Assim, temos que seu primeiro
livro, A Casa dos Espíritos Espíritos, foi escrito como uma longa carta de
despedida para o avô que morria.
Nessa carta, a autora redesenhava
a infância e a juventude, as cicatrizes de uma família e de
uma nação marcadas por um regime
de exceção, a ditadura de Augusto Pinochet, e a influência
de uma avó sensível e iluminada
por visões do além.
O livro, que alterna a narrativa
em primeira e terceira pessoas,
foi muito comparado a, Cem Anos de Solidão , do colombiano
Gabriel García Márquez, de quem sofreu clara influência,
especialmente nesse primeiro
trabalho. No entanto, é possível
perceber que a prosa de Isabel é mais ágil, rápida, no sentido
que Italo Calvino propõe ao termo: “a narrativa é um cavalo”. No caso de Isabel, um cavalo
em pleno galope. Nela se combinam
a velocidade física e mental de que o escritor ítalo-cubano
falou. Os qualificativos de seu
modus operandi chegam a formar
uma constelação: vívida,
veloz, enérgica, forte.
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Da esq. para
a dir., palácio
presidencial
de La Moneda
sendo
bombardeado
durante o
golpe de 1973;
Pinochet; manifestações
a favor de
Salvador
Allende
Faço o que posso… A realidade é um torvelinho,
não conseguimos medi-la ou decifrá-la, porque
tudo acontece ao mesmo tempo. Enquanto estamos
aqui falando, às suas costas Cristovão Colombo está
inventando a América, e esses mesmos índios que
o recebem na vidraça da janela, continuam nus na
selva a poucas horas deste gabinete, e continuarão
nus daqui há cem anos. Apenas procuro abrir caminho
neste labirinto, colocar um pouco de ordem em tanto
caos, tornar a experiência mais tolerável. Quando
escrevo conto a vida como gostaria que ela fosse.
(Eva Luna)
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