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VÍTIMA DE SEU TEMPO
 

 

 

Viagem à Inglaterra

 

 

Em setembro de 1969, graças a um programa de intercâmbio de adolescentes mantido por entidades protestantes, Ana viajou para a Inglaterra, onde estudou seis meses numa escola de moças, a County School for Girls, em Richmond. Foi um período marcante para a formação da jovem que, ao retornar em fins de 1970, rompeu com os costumes religiosos da família e deixou de freqüentar a igreja. Aprovada no vestibular da PUC, cursou letras entre 1971 e meados de 1975.


Dessa época, além da sólida formação acadêmica e da liderança em questões de política universitária, ficaram grandes amizades, como as professoras Maria Cecília Londres (de quem foi monitora)
e Clara Alvim. O poeta Antônio Carlos de Brito, mais conhecido como Cacaso, também lecionava na PUC e foi seu principal elo com o mundo dos poetas “marginais”. A partir de 1973, Ana namorou o poeta Luiz Olavo Fontes, o Lui, aluno de economia na PUC em cuja fazenda ocorreram as reuniões de produção dos livrinhos da coleção Vida de Artista. Também foram contemporâneos de Ana Cristina na PUC os poetas Geraldo Eduardo Carneiro e João Carlos Pádua.


Formada, a então professora de português e inglês procurou trabalhar com jornalismo cultural. A oportunidade surgiu no semanário Opinião, então o mais respeitado órgão da imprensa dita “alternativa”, em que publicou em 12 de dezembro de 1975 o artigo “Os professores contra a parede”.


Sua estréia poética na fase adulta viria com a inclusão, no mesmo mês, de dois textos seus na “coletânea marginal” organizada pelos poetas Bernardo Vilhena (editor) e Eudoro Augusto (colaborador) para o número 1 da revista trimestral Malasartes. Como a maioria das publicações daquelaépoca, a Malasartes teve vida curta: seu terceiro e último número saiu em maio de 1976. De um daqueles dois poemas de Ana, são os versos: “Olho muito tempo o corpo de um poema/ até perder de vista o que não seja corpo/ e sentir separando dentre os dentes/ um filete de sangue/ nas gengivas.”


Ainda em 1975, Ana conheceu, por intermédio de Clara Alvim, a professora Heloísa Buarque de Hollanda, de quem se tornaria grande amiga. Convidada por Heloísa, participou da hoje clássica antologia 26 Poetas Hoje, publicada em 1976 pela Editorial Labor (reeditada pela Aeroplano em 1998).

 

Até o início de 1977, Ana escreveria mais cinco artigos para o Opinião. Entre março e novembro daquele ano, participou do planejamento de uma nova publicação, o jornal cultural Beijo, projeto liderado por Júlio César Montenegro, que duraria apenas seis ou sete números. Tentou o mestrado em letras na PUC, mas não conseguiu a bolsa de estudos pretendida. Optou então por Comunicação na UFRJ, onde lecionava Heloísa Buarque – que acabou por orientá-la numa tese sobre o enfoque dos documentários de cinema sobre escritores brasileiros. Ensaísta requintada e rigorosa, tornou-se mestre em comunicação, em 1979, a partir desse trabalho. Originalmente editado pela Funarte sob o título Literatura Não É Documento, hoje parte do volume Crítica e Tradução, da Ática.

 



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