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A FLOR DO MANDACARU
 

 

 

 

 

 

Maior nome do ciclo do regionalismo nordestino, Graciliano Ramos também está entre os maiores romancistas brasileiros do século 20

 

Oswald de Andrade dizia que Graciliano Ramos era um “mandacaru escrevendo”. A definição é muito pertinente. A planta do sertão floresce justamente na seca, dando, entre os seus muitos espinhos, uma imprevista flor branca, de textura delicada. Assim era Graciliano, assim era sua escritura.


Livros como Vidas Secas – que em 2008 comemora 70 anos desde sua primeira edição – foram traduzidos para o francês, inglês, italiano, russo, tcheco, polonês, alemão, espanhol, húngaro, búlgaro, romeno, finlandês e holandês. Assim, a obra de Graciliano alcançou prestígio internacional, quer pela profundidade psicológica que conferiu a seus personagens, quer pela problemática sociopolítica abordada pelo autor.


Forjado em um estilo duro, rigoroso, de frases nominais, períodos
curtos, com pouca adjetivação e ênfase nos substantivos e verbos, seus textos têm parentesco com o sertão duro que retratou. Em certa entrevista concedida em 1948, ele declarou:


“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

 

Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.


Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.


Ele estreou com Caetés, romance ambientado em Palmeira dos Índios, estado de Alagoas. O narrador-protagonista, João Valério,
apaixona-se por Luísa, esposa de seu chefe, Adrião. O envolvimento de ambos torna-se público e é delatado por uma carta anônima, levando o marido traído a suicidar-se. Atormentado pela culpa, João Valério afasta-se de Luísa, mas se mantém à frente da firma, antes pertencente ao falecido.

 

Apesar de não ser ainda um exemplo acabado do gênio de Graciliano, a obra já é bastante consistente, e anuncia o grande autor que se confirmará nos três romances seguintes: São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938) – este último tido como a obra-prima do ciclo do regionalismo nordestino.

 



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