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O autor inglês marcou a literatura
com sua sagaz especulação
científica sobre o destino da humanidade
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O passar dos anos inevitavelmente
leva algumas das mentes mais brilhantes do século
passado. No caso de artistas do
porte do inglês Arthur C. Clarke,
o efeito é ainda maior já que ele
foi, provavelmente, o mais conhecido
e influente escritor de ficção científica do século 20. Seu falecimento
por problemas respiratórios
em 19 de março de 2008, aos
90 anos, na cidade de Colombo,
no Sri Lanka, encerra uma vida
dedicada à exploração da imaginação
e aos benefícios que a
ciência e a tecnologia podem trazer à humanidade.
Na melhor tradição de uma ficção científica mais antecipatória
do que especulativa, Clarke
previu a descoberta do satélite
de comunicações ainda em 1945.
E esteve à frente nas idéias que
inspiraram o projeto espacial dos
Estados Unidos nos anos 1960.
Nasceu em 1917, em Somerset,
na Inglaterra, e viveu a infância na
fazenda da família. Foi um fã ativo
de ficção científica nos anos anteriores à Segunda Guerra Mundial,
na qual serviu como instrutor de
radar. Depois da guerra, presidiu
a Sociedade Interplanetária Britânica,
formou-se em física e matemática
e publicou em 1946 sua primeira
história profissional, o conto “Loophole”, na revista americana
Astounding Science Fiction.
A partir dos anos 1950 consolidaria
uma carreira de prestígio,
com os romances O Fim da Infância
(1953) e A Cidade e as Estrelas
(1956) e a não-ficção A Exploração
do Espaço (1952). Essas obras estabeleceram
sua reputação nos dois
campos, tornando-o uma liderança
intelectual, tanto para a ficção
científica como para jovens cientistas
ligados à astronáutica.
Até pelo menos o fim dos anos 1970, Clarke escreveria outras
obras, hoje, consideradas clássicas,
como os premiados Encontro com Rama (1973) e As Fontes do
Paraíso (1979). No primeiro, os humanos são surpreendidos com a chegada ao Sistema Solar de uma gigantesca e aparentemente desabitada nave espacial. Já no
segundo, ele imagina a construção
de um elevador que iria da
superfície da Terra até um satélite
em órbita – uma idéia que vem
sendo estudada pela Nasa.
Contudo, para aqueles que
não o conhecem, a referência ao
filme 2001: Uma Odisséia no Espaço
(1968) o torna familiar. Com
o roteiro adaptado de seu conto “A Sentinela” (1951), Clarke é tão responsável pelo maior filme
da ficção científica quanto o
seu genial diretor Stanley Kubrick.
A obra é uma síntese da visão
de mundo do autor. Se Kubrick
deu uma moldura estilística quase
perfeita, Clarke entrou com a
substância. A combinação entre
a convicção na capacidade de
realização do homem e a transcendência
cósmica em busca de
uma causa maior para a nossa
existência e para o universo.
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