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ASSIM FALOU ARTHUR CLARKE...
 

 

Consagrado, o autor passou a usar seus livros como um meio de arrecadação para entidades científicas. Escreveu a continuação de 2001, 2010: Uma Odisséia no Espaço 2 – que ganhou boa adaptação para o cinema em 1984 –, e o romance O Martelo de Deus (1993).

 

Seus melhores romances, O Fim da Infância, A Cidade e as Estrelas e Encontro com Rama, e contos como "Missão de Salvamento”, “Encontro no Amanhecer” e “A

Estrela”, entre outros, são obras-primas que põem em dúvida se, afinal, Clarke não era um grande escritor, como querem alguns críticos. Talvez não fosse virtuoso no sentido literário do termo – apesar da limpidez e do lirismo em seus melhores momentos –, e não deixou sua obra marcada de grandes personagens. O mais complexo deles talvez seja o computador Hal 9000 de 2001. Mas foi ousado em relação a um dos argumentos mais caros à literatura de gênero: as idéias. Nisso, levou a ficção científica a um patamar poucas vezes visto, em que H.G. Wells (1866-1946) talvez tenha sido o melhor exemplo. Os trabalhos publicados a partir dos anos 1980 caíram de qualidade – quiçá a principal referência para críticas pejorativas.


Especialmente para aqueles que o leram nos anos 1970 e 1980, a ficção científica de Clarke tornou a exploração espacial mais emocionante ao colocá-la em sua maior perspectiva, na qual os feitos de uma época se encaixavam numa visão de dimensões épicas, estendendo-se milênios no futuro. Não por acaso duas gerações de escritores e cientistas foram afetados por seu trabalho. Sir Arthur Charles Clarke se vai como um símbolo da ficção científica e da cultura do século 20, mas ainda deve influenciar este novo século.•

 

NO BRASIL

 

No auge do sucesso de 2001, Clarke esteve no Simpósio Internacional do Filme, realizado no Rio de Janeiro, em 1969, onde recebeu um troféu em forma de monolito. Voltou ao Brasil em 1972 para participar de um congresso internacional de informática, na
Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. No começo dos anos 1980, recebeu uma carta de um escritor carioca, Jorge Luiz Calife, com uma sugestão para continuar 2001. Clarke não só o atendeu mas ainda o agradeceu no posfácio da obra. Isso permitiu que a carreira de Calife tivesse início, com a publicação de sua trilogia Padrões de Contato, entre 1985 e 1991.

Calife tem sido um fiel seguidor da prosa e dos temas de Clarke. Assim como Henrique Flory, no romance Projeto Evolução (1989) e José dos Santos Fernandes, na coletânea Do Outro Lado do Tempo (1990).

 



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