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O tempo leva e traz coisas no sopro do vento.
Há 100 anos, em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul,
ele trouxe Érico Lopes Veríssimo, menino
que mais tarde contaria a saga de seu povo numa trilogia
que ganhou o mundo
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seria
necessário um livro inteiro para descrever a trajetória
de Érico Veríssimo. Aliás, três.
Quando ele faleceu, em 1975, estava desenvolvendo o segundo
volume que iria integrar uma trilogia autobiográfica,
Solo de Clarineta, cujo primeiro tomo havia sido publicado
dois anos antes.
Os avós de Veríssimo eram estancieiros, ou seja,
grandes proprietários de terras, mas, quando o neto
nasceu, já estavam falidos. Quando ele tinha 17 anos,
seus pais se separaram e ele e os irmãos foram viver
com a mãe na residência da avó. Com a
necessidade de ajudar em casa, foi trabalhar num armazém;
depois como pequeno funcionário do Banco do Comércio
e em uma seguradora.
Mulher guerreira, sua mãe ganhava dinheiro como modista
e, com a ajuda dela, Veríssimo tornou-se sócio
de uma farmácia. Mas a coisa não foi bem. Desde
muito pequeno apegado aos livros de grandes autores, seu interesse
era a leitura e os primeiros rabiscos literários que
fazia nos papéis de embrulho da farmácia. Interessava-lhe
também os olhos azuis da adolescente Mafalda, com quem
se casaria em 1931. Por isso não era muito cortês
com os fregueses que o interrompiam no ler, no escrever, ou
na viagem empreendida pelos olhos da menina. Érico
ainda se recusava a vender alguns medicamentos, o que o levava
a se indispor com os clientes. Milagrosamente, o negócio
durou quatro anos antes de falir.
A grande guinada
A paixão literária se agravava e Érico
Veríssimo tomou uma decisão radical: mudou-se
para a capital, Porto Alegre, disposto a penetrar nos meios
intelectuais e a tentar viver do que escrevia. Era um legítimo
autodidata. Nunca terminou oficialmente o segundo grau, mas
tinha uma grande erudição.
A decisão tomada em 1930 foi um salto em sua vida.
Conseguiu um emprego como secretário de redação
da Revista do Globo e, no ano seguinte, foi promovido a diretor
da publicação. Paralelamente, trabalhava como
tradutor de grandes autores como Edgar Wallace, Aldous Huxley,
John Steinberg e Katherine Mansfield, entre outros.
Sua estréia literária deu-se em 1932 com Fantoches,
uma série de histórias curtas escritas sob a
forma de pequenos esquetes teatrais. Não se pode dizer
que foi um grande sucesso: da tiragem de 1 500 exemplares
apenas 400 foram vendidos e os que restaram acabaram devorados
por um incêndio.
Depois, Érico Veríssimo escreveu uma obra seriada
que teve início com a delicada novela Clarissa, de
1933, personagem também presente em Música ao
Longe e Um Lugar ao Sol, ambos de 1936), e Saga, de 1940.
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