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O CONTO NO CEARÁ
 

 

 

 

 

A trajetória da história curta

na terra de José de Alencar

e Rachel de Queiroz

 

Os escritores cearenses se iniciaram na prática da história curta e da literatura em geral muito tardiamente, em relação aos escritores dos centros culturais mais importantes.


Provavelmente muitos e muitos contos foram escritos e publicados em jornais durante o século XIX no Ceará. Como não se deve escrever História com base em suposições, pode-se afirmar que o primeiro contista cearense é Juvenal Galeno.


São também mencionados como pioneiros da história curta no
Estado Araripe Júnior, José de Alencar e Franklin Távora. Já nos anos 1880 surgem os verdadeiros cultores da história breve no Ceará, ligados ao Clube Literário (1887-1888): Oliveira Paiva, Francisca Clotilde, José Carlos Júnior e Rodolfo Teófilo.


Segundo o contista Braga Montenegro, o conto cearense só adquiriu substância e qualidade artísticas após ou simultaneamente à guerra, com novos nomes e novas intenções estéticas. No início do século XX apenas Gustavo Barroso e Herman Lima se destacaram.


O Grupo Clã
Já na década de 1940, o surgimento do Grupo Clã e sua revista (as Edições Clã se iniciam em 1943) traz a lume uma plêiade de novos contistas, entre eles Braga Montenegro, Moreira Campos, Fran Martins, Eduardo Campos e Lúcia Martins. Para muitos estudiosos, esse é o momento da consolidação do conto moderno no Ceará.


Eduardo Campos, por exemplo, embora não tenha alcançado notoriedade no resto do Brasil, tem seu nome gravado em alguns importantes compêndios de História da Literatura. É um mestre do conto psicológico.


Já a obra de Braga Montenegro foi estudada por Francisco Carvalho. Segundo o pesquisador, um dos aspectos a destacar no contista é o permanente sentido de universalidade que caracteriza os seus trabalhos de ficção. Essa universalidade nasce da convicção de que o homem é tudo o que importa. Não o têm seduzido, por isso mesmo, os regionalismos tipificadores, com o seu conhecido cortejo de deformações.


Mas, de todos os nomes aqui citados, desde Juvenal Galeno e José de Alencar, passando por outros expoentes da literatura cearense, até hoje, somente um pode ser chamado de contista por excelência ou por natureza – Moreira Campos. Os outros foram mais poetas ou mais romancistas.


A obra de Campos está estudada em importantes livros. Assis Brasil escreveu: “Moreira Campos faz, no Ceará, a ligação entre o conto de história, ainda vigente nos primeiros anos do Modernismo, e o conto de flagrante, sugestivo, que as novas gerações, a partir de 1956, desenvolveriam em muitos aspectos criativos”.

 

 



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