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TRAGÉDIAS QUE REVELAM A FRAGILIDADE HUMANA
 


 

O teatro de Ésquilo exaltou as grandes conquistas gregas,

mas acima de tudo revelou
a impossibilidade dos homens de escapar do destino tecido pelos deuses

Dentro do vasto tesouro literário que nos foi legado pela civilização grega, um gênero se sobressai pelo ineditismo e pela qualidade: o teatro. Mais do que um gênero literário, ele era uma instituição política típica das cidades-estados, onde as peças eram apresentadas em festivais anuais mantidos pelo poder público e dedicados a Dionísio, deus do vinho. Uma das modalidades desse teatro era a tragédia, cuja origem provavelmente foram os cantos corais religiosos, uma espécie de jogral, que, em seu desenvolvimento histórico, evolui para diálogos entremeados de cânticos.


Entre os escritores gregos de tragédias, o tempo nos legou apenas três: Ésquilo, Sófocles e Eurípides, cada um dos quais representando um estágio desse gênero. Do primeiro e do segundo, sobreviveram sete tragédias de cada um; do terceiro, 18. Ésquilo é o mais antigo e lírico desses autores, e também o que possui a obra mais distante da concepção moderna de teatro, devido à sua proximidade com as origens.


A produção desse autor grego foi muito vasta. Há notícias de que escreveu mais de 100 tragédias. Contudo, apenas Os Persas, Os Sete contra Tebas, Prometeu Acorrentado, Agamêmnon, As Suplicantes, As Coéforas e As Eumênides chegaram até nós.

 

Guerreiro na dramaturgia

Nascido em 525 a.C. em Elêusis – antes, portanto, do apogeu ateniense com Péricles –, Ésquilo participou das guerras médicas, travadas contra os persas. Lutou na famosa batalha de Maratona em 490 a.C. e, depois, em Salamina, no ano 480 a.C.

 

Esse fato influenciou sua produção artística. Prova disso é que Os Persas trata justamente dessa última batalha e se caracteriza por se fixar em um tema histórico. Porém, isso não impede que o escritor dê luz mítica ao evento como forma de amplificar a condição dos soldados gregos em relação aos bárbaros, os persas. Ao invés de glorificar a vitória grega, a obra salienta a derrota persa, justificando-a como um desígnio
divino. Ou seja, o castigo que foi mantido por muito tempo em
suspenso e que, naquele momento, é uma amostra do poder dos deuses contra os mortais.


Sob o viés da guerra, também está centrada a tragédia Os Sete contra Tebas. Mas, ao contrário de Os Persas, Ésquilo propõe um enredo mítico: a maldição de Édipo. Seus filhos com Jocasta (que é sua mãe e esposa), Polineces e Etéocles, devem combater e morrer. É o que ocorre e mais uma vez o destino se cumpre como forma de demonstração de força dos imortais diante dos mortais. Da mesma forma que a peça anterior, a ação é muito reduzida e abundam descrições e momentos de extremo lirismo.


A aflição das mulheres é uma temática recorrente em Ésquilo. Entretanto, em As Suplicantes, torna-se patente. O enredo é proposto a partir das 50 filhas de Dânao, as danaides, que segundo o mito foram condenadas a encher tonéis sem fundo pela eternidade. Dânao, que reinou no Egito com seu irmão durante muito tempo, briga com ele e parte de lá com as danaides em direção a Argos, onde pede asilo. O rei de Argos salvará de imediato pai e filhas, mas a desgraça deles já se prenuncia e o sofrimento está predeterminado.

 



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