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Mário
de Andrade, ícone do Modernismo brasileiro,
foi
escritor, intelectual, músico, pesquisador,
colecionador e, acima de tudo, um incansável
perseguidor da identidade
cultural brasileira
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“Não
importa, repito, que Mário de Andrade não esteja
satisfeito consigo mesmo, nessa ‘fase integralmente
política da humanidade’ que o seu pensamento
mais recente denuncia.
Nós estamos satisfeitos com ele pelo que foi, pelo
que é,
pelo que não deixou de ser, na sua absoluta dignidade
de homem consciente, apaixonado, companheiro e estímulo
de outros homens desnorteados ou frágeis”.
Carlos Drummond de Andrade em crônica de 1944
Ele
foi trezentos, foi trezentos e cinqüenta, foi um tupi
tangendo um alaúde. Por isso, a morte repentina de
Mário de Andrade, em 1945, tocou muitos de seus amigos.
Entre eles, especialmente, Manuel Bandeira, que algum tempo
depois escreveu um belo poema-homenagem ao grande escritor
paulistano. Esse poema talvez seja um dos melhores depoimentos
sobre a importância do autor de Macunaíma na
vida e na cultura brasileira da primeira metade do século
XX.
Ao se lembrar da morte do amigo, Bandeira se recusava a compreender
o fato e afirmava que ele somente se ausentou. A presença
de Mário de Andrade era tão marcante no imaginário
do poeta pernambucano e na cidade onde viveu a maior parte
de sua vida que sua morte não era morte, mas apenas
uma mera ausência. Como um Orfeu moderno, Mário
de Andrade parece ter o poder de sobreviver ao próprio
desaparecimento. E lá se vão cinqüenta
anos de ausência física.
A vida de Mário de Andrade – bem como toda a
sua obra – só teve um sentido verdadeiro: compreender
o Brasil. Tarefa por demais inglória e penosa. Do primeiro
até o último de seus livros perpassa um sopro
de absoluto empenho em descortinar o País para os brasileiros:
suas contradições insolúveis, suas mazelas
e grandezas, que se fundem de maneira tão inextrincável
que muitas vezes é impossível dizer onde elas
começam e onde se encerram.
Além dessa dedicação incansável
ao Brasil, outro objeto despertava o infinito e multifacetado
interesse do poeta: a capital paulista, que se configura sempre
como uma espécie de metonímia do Brasil. Em
São Paulo convive simultânea e, portanto, paradoxalmente
tudo o que há de mais positivo e de
mais negativo na vida nacional. Em suma duplo amor que é
um só.
Desde
os primeiros versos de Paulicéia Desvairada até
os versos da Lira Paulistana – seu último livro
de poesia – brotava uma aguda consciência das
contradições brasileiras sempre cifradas nas
imagens da cisão que percorreram a obra do poeta como
uma espécie de leitmotiv (motivo condutor).
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