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O
New Journalism projetou o
texto jornalístico com uma
narrativa que mistura o estilo literário às
técnicas das redações
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Em
1959, Truman Capote, então correspondente da prestigiada
revista americana New Yorker, viajou a uma cidade chamada
Holcomb, no Kansas, para esmiuçar o assassinato da
família Clutter. Na pequena cidade, o repórter
entra em contato com os dois acusados de tal barbárie,
Perry Smith e Dick Hickock. A reportagem se estendeu até
1965, quando Smith e Hickock, condenados à pena de
morte, foram executados, e rendeu um dos maiores best-sellers
do século 20, A Sangue Frio. Batizado pelo próprio
autor de “romance sem ficção” e
“obra-prima”, o livro projetou para o mundo um
novo estilo literário, o new journalism.
Também conhecido no Brasil como jornalismo literário,
o new journalism associa apuração jornalística
a técnicas de romances, contos e crônicas. As
versões sobre seu início são muitas.
A mais comum cita Hiroshima (1946) reportagem de John Hersey,
como a primeira. Mas não é raro encontrar, nas
listas do gênero, livros como Dez Dias que Abalaram
o Mundo (1919), de John Reed, sobre a revolução
russa, e Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, sobre
a Guerra de Canudos.
O
termo surgiu na década de 1960, quando o jornalismo
literário vivia intensidade e experimentalismo inéditos.
O “novo jornalismo” não foi um movimento
propriamente dito, pois aconteceu espontaneamente. Revistas
como Harper’s, New Yorker e Esquire e jornais como Herald
Tribune se multiplicavam, e nomes como Tom Wolfe, Truman Capote
e Gay Talese também.
No entanto, toda inovação traz consigo muita
polêmica. Onomatopéias, pontuação
inusitada, descrição cena a cena, mudanças
de ponto de vista, muitos diálogos e detalhes que evocassem
imagens na cabeça do leitor eram recorrentes. Mas o
problema maior residia no fato de que, depois de dias de entrevistas
e pesquisa, os repórteres se davam o direito de entrar
na cabeça dos perfilados e narrar seus pensamentos.
Isso fez com que fossem ignorados por parte da crítica
e tachados “impressionistas”.
Diário de infância
“Os leitores e os editores esperavam, praticamente choravam
pelos grandes romances da vida hippie e da vida no campus,
dos movimentos radicais ou da Guerra no Vietnã, da
maconha ou do sexo, da militância negra ou dos grupos
de encontro, ou
do torvelinho todo ao mesmo tempo. Eles esperaram, e tudo
o que conseguiram foi o Príncipe da Alienação...
navegando para alguma Ilha Solitária com seu barco
do Tarô, de costas para tudo com sua capa Intemporal
recendendo a naftalina.”
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