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IRREVERENTE SUBVERSÃO
 



Edição luxuosa reúne os melhores textos de O Pasquim, tablóide que
abalou a ditadura militar brasileira e durou mais de 20 anos

 

No tempo da ditadura militar era praticamente impossível pensar no conceito de “imprensa livre”. Com o decreto do Ato Institucional número 5, em 1968, as possibilidades de criticar o governo teoricamente se anularam. Quem se dispusesse a fazê-lo tinha de ser suficientemente louco e temerário, pois os riscos poderiam ser fatais – no sentido literal da palavra. Cinco jornalistas o foram, e pelas mãos desses “malucos” nasceu O Pasquim.


A história desse marco do jornalismo brasileiro está em O Pasquim – Antologia. Lançado recentemente pela editora Desiderata, o primeiro volume tem 350 páginas e traz uma compilação dos melhores textos dos 150 primeiros números do tablóide. Assinadas por Jaguar e Sérgio Cabral, as duas apresentações do livro tentam explicar como foi criada a mais subversiva publicação já impressa no País. Outros três volumes devem ser lançados compilando mais edições do jornal.

 

O bem-humorado periódico nasceu, segundo Jaguar, de uma fatalidade: a morte de Stanislaw Ponte Preta (1923-1968). Na época, Lalau, como era conhecido, escrevia e editava um jornal chamado A Carapuça – auxiliado pelo “secretário” Alberto Eça, que aprendeu a dominar seu estilo. Com a morte de Lalau, tornou-se inviável a manutenção do tablóide, que teve apenas oito números.


A distribuidora do jornal convocou Tarso de Castro para solucionar o problema, e a conclusão a que se chegou foi a de lançar uma nova publicação. Os cinco amigos se juntaram para criar o novo veículo: Tarso, Sérgio Cabral, Jaguar, Carlos Prósperi e Claudius, além, claro, de Dona Nelma, a secretária e “musa inspiradora”.


Para circular, o novo jornal precisava de um nome. E, sabendo que o material publicado não seria lá muito sério, Jaguar sugeriu O Pasquim. “Já que vão nos chamar de pasquim (jornal difamador, folheto injurioso), terão de inventar outros nomes para nos xingar”, escreve o cartunista. “A sugestão não suscitou muito entusiasmo, mas, como ninguém agüentava mais tanta reunião, acabou sendo aprovada.”


As dimensões do semanário também tiveram escolha fundamentada em argumento curioso. Numa pesquisa com colegas jornalistas, a equipe ouviu que os brasileiros não gostavam do formato tablóide, aquele que tem metade do tamanho padrão de um jornal comum. “Então vai ser tablóide”,
resolveram. No dia 26 de junho de 1969, ia para as bancas o mais desbocado dos jornais.

 



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