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UM OURIVES QUE CRAVEJAVA VERSOS
 

O tempo reafirmou o que seus contemporâneos já sabiam: Olavo Bilac é um dos maiores mestres da arte poética da Literatura Brasileira

 

Olavo Bilac (1865-1918) é um dos poetas brasileiros que mais sofreram com a dura crítica dos modernistas de 1922 à tradição poética existente antes da Semana de Arte Moderna. Lembrese da irônica afirmação de Oswald de Andrade (1890-1954) no início do prefácio de seu romance Serafim Ponte Grande: “O mal foi ter eu medido o meu avanço sobre o cabresto de duas remotas alimárias — Bilac e Coelho Neto. O erro ter corrido na mesma pista inexistente”.


A primeira fase do Modernismo consagrou o repúdio veemente à arte parnasiana, considerada o exemplo máximo do tradicionalismo literário e do esteticismo poético. Segundo as vanguardas, o Parnasianismo representava a síntese de todos os equívocos da arte oitocentista.


Ainda segundo os modernistas, o Parnasianismo havia afastado a poesia da vida, transformando-a em mero jogo formal com as palavras. O gosto parnasiano pelas inversões sintáticas (o hipérbato), o vocabulário rico e requintado, a preferência pelos temas clássicos e mitológicos, o rigor absoluto na metrificação, o emprego constante do soneto (forma clássica por excelência) fariam da escola o exemplo acabado do formalismo e do tradicionalismo literário.

 

A crítica modernista procede, pois no início do século 20 as novas condições históricas e sociais, advindas principalmente do primeiro pós-guerra, exigiam outras formas de expressão e uma linguagem adequada às novas e traumáticas experiências da vida moderna. É nesse contexto que se encontra a radical e demolidora crítica das vanguardas a toda tradição literária destituída de verdadeira inserção no seu tempo histórico.


Revisão do passado
Com o passar dos anos e o esfriar dos ânimos, é possível olhar
com distanciamento e perceber que, se os modernistas da primeira hora tinham razão na sua crítica ao Parnasianismo como forma de expressão poética caduca e decadente, nem por isso o que foi produzido por essa estética está totalmente destituído de valor ou de importância histórica e literária. Olavo Bilac é um bom exemplo desse processo obrigatório de revisão do passado anterior ao Modernismo brasileiro que a passagem dos anos nos impôs. Sua obra é, sem dúvida alguma, uma das mais importantes de toda a lírica nacional.


Profundo conhecedor do idioma, Bilac tem o mais absoluto domínio de todas as possibilidades expressivas da língua, e sua versificação está entre as mais brilhantes entre nós produzidas. Mestre consumado no domínio da forma clássica, particularmente do soneto, muitos de seus poemas permanecem até hoje como modelo máximo de nosso movimento parnasiano. Além disso, há no conjunto de sua produção momentos poeticamente fascinantes.

 

 



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