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Em um ambiente que traz informações por todos os meios, o
professor é desafiado a estimular a leitura e manter o texto
impresso como um centro de interesses
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Professora de literatura. Anos de experiência prático pedagógica; de estudos, de graduação, mestrado. Como associar a
bagagem acumulada ao longo dessa história com a mutação cotidiana da sala de aula? São muitas perguntas que não calam
diante das mudanças absolutamente velozes nos costumes e nas situações do dia-a-dia.
As relações construídas no ambiente escolar se concretizam necessariamente no âmbito interpessoal, mas é a motivação
que torna tais relações mais ou menos profícuas. Eis o foco dessa reflexão: como motivar nossos jovens alunos a ler?
Que argumentos utilizar para fazer com que a leitura ultrapasse os limites de mera tarefa escolar imposta?
Na época em que estudávamos – eu e a grande maioria dos professores que hoje ocupam as cadeiras discentes – nosso
mundo girava em torno da escola, dos amigos e, pasmem, da tevê. Mas nossos pais passavam mais tempo em casa, não
havia aparelho de televisão no quarto, de internet nem se falava. O livro ocupava um lugar não apenas na estante da sala,
mas também na nossa busca por idéias e personagens que nos fizessem flanar nas asas dos nossos desejos e sonhos. Precisávamos
das histórias que líamos, porque elas nos permitiam sonhar com o que não tínhamos.
Hoje alguns jovens têm tudo ao seu alcance e não precisam disputar a tela da tevê com o resto da família, tem som
particular, computador de última geração conectado com o resto do mundo pela internet e celular dentro da mochila.
Nesse cenário, onde fica o livro? Será que os adolescentes estão perdendo a capacidade de sonhar? Ou são apenas sonhos
diferentes? Não faço aqui a apologia do “não-tem-que-ter”. Apenas registro o fato de que a dinâmica da vida mudou.
São acontecimentos irreversíveis.
Entretanto, é preciso, agora mais do que nunca, resgatar a leitura como instrumento capaz de colocar em funcionamento
estruturas mentais que vão, aos poucos, ficando dormentes pela superexposição da imagem e da “coisa pronta”.
“Qual a função da leitura numa sociedade multimídia? A cultura visual, particularmente a TV, é a forma de comunicação
predominante porque sua tecnologia oferece possibilidades muito maiores de manipulação e controle social.(...) Diferentemente
da TV, a palavra escrita congela a informação: quando lemos temos mais tempo de parar e refletir sobre o que foi escrito”, afirmam César Lopes e Elanie
Ferreira em um artigo publicado no
livro Ler e Escrever: Compromisso de
Todas as Áreas (Ed. da UFRGS, 2006).
O fato é que se fazem necessários
investir na leitura, buscar temas de interesse
universal e tornar o texto um aliado
do pensamento e um meio de desenvolvermos
o espírito crítico do jovem.
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