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Em O Retrato de Dorian Gray,
Oscar Wilde
pintou com palavras
um magistral quadro da
decadência moral humana
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A finalidade do mentiroso é simplesmente fascinar, deliciar, proporcionar
regozijo. Ele é o fundamento da sociedade civilizada.
Escolho meus amigos pela beleza, meus conhecidos pela respeitabilidade,
e os meus inimigos pela inteligência.
A fé é a coisa mais complexa que eu conheço. Supõe-se que acreditemos
todos na mesma coisa de forma diferente. É como se estivéssemos todos
comendo do mesmo prato com colheres de várias cores.
Ora criticando as convenções sociais
com sarcasmo e ironia, ora enunciando, de
forma brilhante, reflexões filosóficas de profunda
complexidade, os aforismos acima
são parcos exemplos da inteligência aguda
e altamente sofisticada de Oscar Wilde.
O escritor nasceu em Dublin, em 15 de
outubro de 1856. Ou 16 de outubro de
1854... ou 1855. Há alguma controvérsia
em torno da data precisa de seu nascimento,
mas nenhuma a respeito da grandeza
artística de sua obra, como literato, dramaturgo
e pensador.
Filho de William Wilde, médico de renome,
e de Jane Francesca Elgee, escritora e intelectual,
ativa militante do movimento para
a Independência da Irlanda, desde cedo o irlandês
demonstrou seu gênio. Aluno brilhante,
ganhou vários prêmios por seu destacado
desempenho escolar em renomadas instituições de ensino. Sobressaía-se dos
demais estudantes tanto por seu temperamento
forte e anticonvencional, como
também por sua refinada inteligência.
De 1879 a 1889 concentrou a maior
parte de sua produção em textos teatrais e
poemas que alcançaram relativo sucesso.
Versátil e de talento pluralista, publicou
também um volume de contos de fadas, O
Príncipe Feliz e Outras Histórias (1888),
e um ensaio intitulado A Alma do Homem
sob o Socialismo (1891). Em 1890
saiu a primeira versão daquele que seria
seu único romance, O Retrato de Dorian
Gray. Com a edição revisada, de 1891, o
livro alcançou notável repercussão, sendo
até hoje a obra mais conhecida de Wilde.
O Retrato de Dorian Gray parece
prenunciar o drama pessoal vivido por
seu autor (veja o quadro “A tragédia
de um dândi fascinante”). Há uma
tensão evidente na relação que une o
belo jovem Dorian, Basílio Hallward (o
pintor do retrato), e Lorde Henry Wotton,
principais personagens da obra. Essa
tensão se desenvolve a partir do fascínio
que Dorian exerce sobre seus amigos,
trazendo subjacente uma sutil
atração homoerótica, como mostra o
trecho a seguir:
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